PALAVRA DOMINICAL Partilha do Prior Paróquias dos Mártires e do Sacramento
Posted: 23 Aug 2026, 18:52
21º Domingo do Tempo Comum – Ano A 2026
Ideia principal: O discípulo é aquele que confiadamente segue Jesus, fazendo da sua vida um hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador. Desta entrega de cada um nasce a Igreja, a comunidade dos discípulos. À Igreja - a Pedro com a Igreja - é dado “o poder das chaves”: com autoridade interpreta os ensinamentos de Jesus, acolhe aqueles que aceitam ser discípulos e rejeita aqueles que não estão para servir, mas para impedir os irmãos de aceder aos bens eternos.
LEITURA I – Profecia de Isaías 22,19-23
Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, […]
E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, […] Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir.
- O profeta Isaías nasceu por de 760 a.C., em Jerusalém. De família nobre, Isaías é um homem culto, decidido, enérgico, que frequenta os círculos de poder e faz parte dos notáveis do reino de Judá, defendendo sempre os oprimidos, os órfãos, as viúvas (cf. Is 1,17), e exortando o seu povo à conversão. Neste oráculo, refere um episódio palaciano que ilustra o modo como deve ser exercida a autoridade: como um serviço!
- O oráculo é da época Ezequias rei de Judá, entronizado em 714 a.C.. Ezequias escolhe Chebna para administrador do palácio real. Parecia honesto, mas acaba por se revelar um oportunista, pois usa em proveito próprio dinheiros públicos, sendo, por isso, destituído do cargo. É o próprio Deus quem coloca no seu lugar Eliaquim; o poder que irá exercer está simbolizado nas insígnias de que é revestido.
- A “túnica” e a “faixa” de Chebna passam para Eliaquim, simbolizando a continuidade das funções. A “chave” corresponde a uma função concreta. O mordomo do palácio ordenava a vida da casa real, cuidando das entradas e das saídas. O governador escolhido tinha, pois, a missão de zelar pela “Casa de David”. Somente ele pode abrir e fechar, como só Pedro pode ligar e desligar (cf. Evangelho deste domingo).
LEITURA II – Epístola aos Romanos, 33-36
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! […]
Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos!
D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amem.
- Temos acompanhado a reflexão de Paulo sobre uma questão que o afligia, mas para a qual encontrou resposta: o acesso de Israel à salvação. O Povo eleito, será sempre objeto especial da misericórdia de Deus: o chamamento é irrevogável! A 2ª Leitura deste domingo é a conclusão da reflexão de Paulo: um belíssimo hino de louvor, de reconhecimento e de adoração, que exalta o desígnio salvador de Deus.
- A infidelidade dos judeus teve um aspeto positivo: moveram feroz perseguição aos judeo-cristãos acantonados em Jerusalém, que se viram obrigados “a sair”, levando assim a boa nova aos pagãos das terras para onde foram. Assim Deus leva a cabo o seu plano salvífico: chama Israel para Seu povo, mas, aproveitando a infidelidade deste, chama os gentios à fé; e, por fim, de uns e de outros fará um só Povo!
- Paulo reconhece que os desígnios de Deus são misteriosos e ultrapassam infinitamente a nossa capacidade de compreensão e de entendimento, não só na história dos povos, mas também na vida de cada pessoa. Há, porém, uma certeza que é dada pela fé: Tudo aquilo que acontece, é guiado pelo amor do Pai, o Senhor da História! Os seus insondáveis desígnios sobre cada acontecimento, têm sempre um sentido.
Evangelho: Mateus 16,13-20
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: […] «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe: […] «Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
- O Evangelho deste domingo situa-nos no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jordão, em Cesareia de Filipe (a atual Bânias). A cidade tinha sido construída por Herodes Filipe, filho de Herodes o Grande, no ano 2/3 a.C., em honra do imperador Augusto. Ali, longe da multidão, Jesus faz “o ponto da situação” dos primeiros tempos do Seu ministério: quer saber o que se diz sobre Ele e sobre o que tem feito.
- “Quem sou Eu”? – A pergunta que não poucas vezes surge no Evangelho referida a Jesus, é desta vez colocada por Ele, referida Si próprio. Que dizem as pessoas sobre o mistério da Sua pessoa? Alguém regressado do além, um profeta, uma personalidade importante… Pedro, desde o início o chefe do grupo, responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Mateus antecipa aqui a resposta pascal dos discípulos.
- O “Filho do Homem” dirige-se ao “Filho de Jonas”… A confissão de Pedro não resulta apenas de uma experiência humana, não foi ditada pela “carne e o sangue”… revela a fé, graça concedida pelo Pai do Céu. Simão, desde agora, chama-se Pedro: com a missar de confirmar os irmãos e de a apascentar as Suas ovelhas. Pedro é, com o Mestre, o fundamento de uma edificação que nada nem ninguém poderá destruir.
Rezar a Palavra
Senhor, por graça do Pai do Céu, posso hoje repetir com Pedro e os discípulos: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”! O Messias, o Libertador, o Deus Vivo! Simão é “Kephâ”, rocha, pedra (Pedro), não pela sua valentia, mas pela sua fé – dele e “Doze” - na qual assenta a Igreja de Jesus. Senhor, que Igreja, em cada um dos seus membros, jamais vacile na fé transmitida pelos Apóstolos. Senhor, aumenta a minha fé! Amem
Cónego Armando Duarte
23 de agosto de 2026
Ideia principal: O discípulo é aquele que confiadamente segue Jesus, fazendo da sua vida um hino de amor e de louvor ao Deus salvador e libertador. Desta entrega de cada um nasce a Igreja, a comunidade dos discípulos. À Igreja - a Pedro com a Igreja - é dado “o poder das chaves”: com autoridade interpreta os ensinamentos de Jesus, acolhe aqueles que aceitam ser discípulos e rejeita aqueles que não estão para servir, mas para impedir os irmãos de aceder aos bens eternos.
LEITURA I – Profecia de Isaías 22,19-23
Eis o que diz o Senhor a Chebna, administrador do palácio: «Vou expulsar-te do teu cargo, […]
E nesse mesmo dia chamarei o meu servo Eliacim, […] Porei aos seus ombros a chave da casa de David: há de abrir, sem que ninguém possa fechar; há de fechar, sem que ninguém possa abrir.
- O profeta Isaías nasceu por de 760 a.C., em Jerusalém. De família nobre, Isaías é um homem culto, decidido, enérgico, que frequenta os círculos de poder e faz parte dos notáveis do reino de Judá, defendendo sempre os oprimidos, os órfãos, as viúvas (cf. Is 1,17), e exortando o seu povo à conversão. Neste oráculo, refere um episódio palaciano que ilustra o modo como deve ser exercida a autoridade: como um serviço!
- O oráculo é da época Ezequias rei de Judá, entronizado em 714 a.C.. Ezequias escolhe Chebna para administrador do palácio real. Parecia honesto, mas acaba por se revelar um oportunista, pois usa em proveito próprio dinheiros públicos, sendo, por isso, destituído do cargo. É o próprio Deus quem coloca no seu lugar Eliaquim; o poder que irá exercer está simbolizado nas insígnias de que é revestido.
- A “túnica” e a “faixa” de Chebna passam para Eliaquim, simbolizando a continuidade das funções. A “chave” corresponde a uma função concreta. O mordomo do palácio ordenava a vida da casa real, cuidando das entradas e das saídas. O governador escolhido tinha, pois, a missão de zelar pela “Casa de David”. Somente ele pode abrir e fechar, como só Pedro pode ligar e desligar (cf. Evangelho deste domingo).
LEITURA II – Epístola aos Romanos, 33-36
Como é profunda a riqueza, a sabedoria e a ciência de Deus! […]
Como são insondáveis os seus desígnios e incompreensíveis os seus caminhos!
D’Ele, por Ele e para Ele são todas as coisas. Glória a Deus para sempre. Amem.
- Temos acompanhado a reflexão de Paulo sobre uma questão que o afligia, mas para a qual encontrou resposta: o acesso de Israel à salvação. O Povo eleito, será sempre objeto especial da misericórdia de Deus: o chamamento é irrevogável! A 2ª Leitura deste domingo é a conclusão da reflexão de Paulo: um belíssimo hino de louvor, de reconhecimento e de adoração, que exalta o desígnio salvador de Deus.
- A infidelidade dos judeus teve um aspeto positivo: moveram feroz perseguição aos judeo-cristãos acantonados em Jerusalém, que se viram obrigados “a sair”, levando assim a boa nova aos pagãos das terras para onde foram. Assim Deus leva a cabo o seu plano salvífico: chama Israel para Seu povo, mas, aproveitando a infidelidade deste, chama os gentios à fé; e, por fim, de uns e de outros fará um só Povo!
- Paulo reconhece que os desígnios de Deus são misteriosos e ultrapassam infinitamente a nossa capacidade de compreensão e de entendimento, não só na história dos povos, mas também na vida de cada pessoa. Há, porém, uma certeza que é dada pela fé: Tudo aquilo que acontece, é guiado pelo amor do Pai, o Senhor da História! Os seus insondáveis desígnios sobre cada acontecimento, têm sempre um sentido.
Evangelho: Mateus 16,13-20
Jesus foi para os lados de Cesareia de Filipe e perguntou aos seus discípulos: […] «E vós, quem dizeis que Eu sou?» Então, Simão Pedro tomou a palavra e disse: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo».
Jesus respondeu-lhe: […] «Também Eu te digo: Tu és Pedro; sobre esta pedra edificarei a minha Igreja
e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Dar-te-ei as chaves do reino dos Céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos Céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos Céus».
- O Evangelho deste domingo situa-nos no Norte da Galileia, perto das nascentes do rio Jordão, em Cesareia de Filipe (a atual Bânias). A cidade tinha sido construída por Herodes Filipe, filho de Herodes o Grande, no ano 2/3 a.C., em honra do imperador Augusto. Ali, longe da multidão, Jesus faz “o ponto da situação” dos primeiros tempos do Seu ministério: quer saber o que se diz sobre Ele e sobre o que tem feito.
- “Quem sou Eu”? – A pergunta que não poucas vezes surge no Evangelho referida a Jesus, é desta vez colocada por Ele, referida Si próprio. Que dizem as pessoas sobre o mistério da Sua pessoa? Alguém regressado do além, um profeta, uma personalidade importante… Pedro, desde o início o chefe do grupo, responde: «Tu és o Messias, o Filho de Deus vivo». Mateus antecipa aqui a resposta pascal dos discípulos.
- O “Filho do Homem” dirige-se ao “Filho de Jonas”… A confissão de Pedro não resulta apenas de uma experiência humana, não foi ditada pela “carne e o sangue”… revela a fé, graça concedida pelo Pai do Céu. Simão, desde agora, chama-se Pedro: com a missar de confirmar os irmãos e de a apascentar as Suas ovelhas. Pedro é, com o Mestre, o fundamento de uma edificação que nada nem ninguém poderá destruir.
Rezar a Palavra
Senhor, por graça do Pai do Céu, posso hoje repetir com Pedro e os discípulos: “Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo”! O Messias, o Libertador, o Deus Vivo! Simão é “Kephâ”, rocha, pedra (Pedro), não pela sua valentia, mas pela sua fé – dele e “Doze” - na qual assenta a Igreja de Jesus. Senhor, que Igreja, em cada um dos seus membros, jamais vacile na fé transmitida pelos Apóstolos. Senhor, aumenta a minha fé! Amem
Cónego Armando Duarte
23 de agosto de 2026