A bordo do Airforce One, na habitual entrevista de domingo à noite aos jornalistas que viajam com o presidente, Donald Trump anunciou que as negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irão vão recomeçar esta segunda-feira à tarde. Posteriormente, Teerão afirmou que não há conversações em curso com Washington e que está em discussões com Mascate sobre uma rota segura temporária através do estreito de Ormuz.
"Não estamos a negociar com os Estados Unidos neste momento. Estamos a negociar com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz", disse o porta-voz do Ministério iraniano dos Negócios Estrangeiros, Esmail Baghai, durante a sua conferência de imprensa semanal.
Esmail Baghai frisou esta segunda-feira que chegar a um acordo com o Omã não é suficiente para reabrir o estreito, uma vez que a situação permanecerá inalterada enquanto a "agressão" dos EUA se mantiver.
Ao regressar a Washington após um fim de semana em Nova Jérsia, Trump disse aos jornalistas no domingo que uma negociação começaria na tarde de segunda-feira, mas não forneceu detalhes sobre onde ocorreria ou quem estaria envolvido.
"É claro que não querem ser atacados. Eles sabiam da magnitude deste ataque porque o viram a concretizar-se", disse Donald Trump na noite de domingo a bordo do Air Force One.
O presidente dos Estados Unidos justificou assim a ordem que deu para suspender o ataque que estava a ser preparado contra o Irão.
"O que estamos a fazer agora é falar com eles sob a forma de negociações", acrescentou Trump, especificando simplesmente que estas discussões começariam na tarde desta segunda-feira.
Questionado se havia um prazo para o Irão chegar a um acordo, Trump recusou responder. "Será que preferia fechar um acordo? Não quero que as pessoas morram, porque as pessoas morrem, muitas pessoas morrem, e nós não queremos isso", disse o inquilino da Casa Branca em resposta.
O objetivo dos EUA é alcançar um acordo que permite reabrir o estreito de Ormuz e resolver divergências entre os dois países em relação ao programa nuclear do Irão.
A assinatura de um memorando de entendimento em meados de junho não conseguiu, até à data, produzir quaisquer avanços diplomáticos significativos para pôr fim a um conflito que, durante mais de cinco meses, assolou o Médio Oriente e abalou a economia global.
Trump levantou ameaças
Depois de ameaçar o Irão com outro grande ataque, o presidente norte-americano anunciou no sábado à noite que estava a cancelar a ameaça e sugeriu que tinham sido feitos progressos diplomáticos.
Trump tinha declarado no sábado à noite, na sua plataforma Truth Social, que o Irão e outros países do Médio Oriente tinham pedido mais tempo para concluir um acordo que levasse à reabertura "imediata, completa e total" do estreito e ao "fim da ameaça nuclear iraniana", mas que Teerão precisava de "fechar um acordo rapidamente".
Trump fez repetidas ameaças de intensificar a guerra contra o Irão, iniciada juntamente com Israel no final de fevereiro, apenas para conceder mais tempo para as negociações, que até agora não levaram a um acordo abrangente.A aparente desescalada de Trump, após dias de ameaças de novos ataques de ambos os lados, foi a mais recente reviravolta na guerra. Os ataques alastraram-se ao Golfo Pérsico, ao Mar Vermelho e até a uma instalação no Mediterrâneo, no Egito.
O presidente dos EUA argumentou que o seu objetivo declarado de impedir o Irão de obter armas nucleares justifica o aumento dos custos dos combustíveis a curto prazo, mas o impacto económico negativo tem exercido pressão política sobre ele para encontrar uma forma de pôr fim ao conflito.
Preço dos combustíveis com sobe e desce constante
O Irão praticamente fechou o Estreito de Ormuz, uma via de escoamento para 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, antes do início da guerra, o que provocou o aumento dos preços da energia e alimentou a inflação.
Estes aparentes avanços foram seguidos por uma queda dos preços do petróleo quando o mercado reabriu na manhã desta segunda-feira, com o Brent, uma referência global, a cair quase 5%, a negociar a cerca de 84 dólares por barril. O preço tinha ultrapassado brevemente os 100 dólares no final de julho
Diplomacia iraniana
O ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Abbas Araqchi, falou por telefone com o seu homólogo saudita, o príncipe Faisal bin Farhan, e com o chefe do exército paquistanês, Asim Munir, para discutir os esforços diplomáticos, noticiaram no domingo os meios de comunicação estatais iranianos.
A agência de notícias oficial iraniana IRNA noticiou anteriormente que as conversações entre Teerão e Omã sobre o Estreito de Ormuz estavam na fase final, citando o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araqchi.
"Estamos prestes a chegar a um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul — respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo os nossos interesses e segurança nacionais", avançou o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Esmail Baghai, à televisão estatal.
Segundo Esmail Baghai, as negociações estavam focadas num acordo sobre uma nova rota através do estreito, acrescentando que esta "não tem qualquer ligação com a abertura ou encerramento do Estreito de Ormuz. Esta é uma discussão separada".
No mês passado, o Irão rejeitou publicamente uma proposta omanita, apoiada pelos países do Golfo, para gerir o estreito que partilham.
Em junho, a construção de uma estrada em Omã provocou a ira das autoridades iranianas, mas parece estar a surgir um acordo, segundo Teerão, uma vez que Mascate ainda não se manifestou.
Enquanto se aguarda um possível acordo, a situação no Estreito de Ormuz continua tensa: uma explosão perto de um petroleiro foi reportada no domingo à noite pela agência britânica de segurança marítima, UKMTO.
A guerra expandiu-se recentemente, com uma nova frente no Mar Vermelho, onde os rebeldes houthis no Iémen, apoiados pelo Irão, anunciaram um bloqueio aos portos sauditas e reivindicaram a autoria de ataques a petroleiros e instalações petrolíferas pertencentes ao reino.
c/Agências
more source # https://www.rtp.pt/noticias/mundo/irao- ... a_n1757383